sexta-feira, 27 de julho de 2012

CIÚME INSTINTIVO

"Meu ciúme me mata! Sobe um sangue à cabeça e eu tenho vontade de 'esganar'... Quando eu sinto isso, eu perco a razão!"

Ouvi essa frase, dia desses, de uma amiga. E respondi-lhe: "Perde a razão e o 'fulano'".

Às vezes eu leio coisas esparsas dignificando o ciúme - ainda bem que são esparsas! - do tipo: "Ter ciúme é demonstrar que se ama", ou "Quem ama, cuida!", querendo, provavelmente, sugerir que "cuidar" seja sinônimo de "fiscalizar".
Desculpe-me você que curte estragar sua qualidade de vida, destruir suas relações e viver infeliz, mas, ainda que você queira se enganar tentando acreditar que ciúme é "prova de amor" e que "cuidados" significam "fiscalização", o fato é que nem as leis da natureza e nem o vernáculo podem ser alterados por sua vontade.
Quer dar provas de amor? Que tal começando com demonstrações de gratidão pela presença da outra pessoa em sua vida? Eu lhe garanto que funciona. Depois você poderá usar elogios, amabilidade, dedicação, respeito... Há inúmeras formas de demonstrar amor, incluindo um sexo bem gostoso e elaborado! Todas absolutamente eficazes. Mas nenhuma passa pelo ciúme.
Afinal, convenhamos... pode-se ter ciúmes de livros, de sapatos, de carros, e, comparar o apego material que você tem por esses objetos a amor, é no mínimo um insulto à inteligência de quem se quer convencer de que amor e ciúmes são dois lados da mesma moeda. É óbvio que se trata de sentimento vinculado à posse e não ao amor!
E quanto à praxe de associar ciúmes a "cuidados" (ou "fiscalização"), quem fiscaliza é porque não confia, nem em si nem na outra pessoa. Mais do que demonstração de insegurança, isso é prova de falta de talento. Quem faz bem feito o seu papel numa relação, não se preocupa com os resultados. SABE quais são os resultados!
Penso que isso, por si só, deveria ser suficiente para deixar claro a premência com que você deve repensar seus conceitos sobre o ciúme - sobre os resultados que tem colhido em suas relações. Mas gostaria de lhe dar um "incentivo extra"...
Repare na natureza... já notou que os animais sentem ciúmes? Sim, sentem. A começar do seu pet de estimação. Isso não te sugere nada? É claro que se trata de um "instinto" natural. Assim como o instinto de matar. Agora, o que difere o ser humano dos demais animais é sua capacidade de fazer associações simbólicas e o seu raciocínio lógico. Foi assim que se superou, racionalmente, o ímpeto assassino - ao menos para a maioria de nós! Então, sabendo disso e pensando racionalmente, você acha mesmo que deve se deixar sucumbir ao instinto do ciúme?
Quando você tem vontade de "matar" alguém, você mata? Então por que, quando você sente aquele ímpeto de estragar tudo, por ciúmes, você deveria estragar?
Afinal... estamos aqui para evoluir, não é mesmo?! 
Então pare de estragar sua felicidade por insegurança, incapacidade ou fraqueza de resolução pessoal. "Carpe diem" e seja feliz, hoje, porque, apesar de você não acreditar, o "HOJE" é tudo o que você tem! O "ontem" já foi, e o "amanhã" é incógnito!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O CANDIDATO DE UM ÚNICO VOTO

Imagine uma propaganda eleitoral com o seguinte teor:

"Prezado cidadão, meu nome é José da Silva. Tenho 36 anos, sou casado e pai de 3 filhos. Resido na rua Alfa, nº 100, no Bairro Beta, nessa cidade de Sigma. Após meditar bastante sobre como a política tem sido conduzida em nossa cidade e em nosso país, compreendi que não se poderá esperar por mudanças se os modelos de se fazê-la, não forem mudados, e que nada pode ser mudado se não mudarmos nossa atitude. Por isso, decidi candidatar-me para tentar, eu mesmo (e, tomara, com a ajuda de outros iguais a mim), realizar mudanças que possibilitem nos sentirmos mais dignos e respeitados como cidadãos.
Assim, e para mostrar-lhe que minha natureza difere daquela que você abomina, coloco, desde já, à sua disposição, a relação de bens que possuo na data presente:

- 01 casa financiada - valor: R$65.000,00.
- 01 carro modelo ---, ano --- - valor: R$25.000,00.
- 01 conta poupança com um saldo de R$5.5000,00.

A fim de demonstrar a evolução de minhas finanças, divulgarei, caso seja eleito, demonstrativos anuais de vencimentos, bem como minha declaração de renda.
Uma vez que discordo da maneira como a política tem sido praticada em nosso país, tomarei, desde já, algumas providências:

- Em minha campanha, não distribuirei, senão pessoalmente e em mãos, "santinhos" com meu nome e número, vez que entendo ser um "crime" jogar-se tanto papel fora, num país em que se desmata um Estado de Sergipe por ano. Além disso, penso ser inócua e desrespeitosa tal prática, já que, um eleitor inteligente não escolherá um candidato pela quantidade de papel que jogou na rua, mas sim, ao contrário, votará naquele que prestigiou a sua inteligência e a limpeza da cidade.

- Como acho um desrespeito com o eleitor gritar-lhe aos ouvidos um jingle, um slogan, um nome e um número, porque entendo que um candidado deve ser eleito por suas propostas e não pela repetição de seu número, não promoverei minha campanha em carros de som.

- Uma vez que discordo da forma como são feitos comícios e carreatas, que nada acrescentam ao eleitor, senão barulho e uma sensação de insulto à sua inteligência e dignidade, deles, igualmente, não participarei.

- Já que preciso mostrar-lhe minhas propostas (e isso eu não conseguiria fazê-lo em comícios e carreatas, ainda que eu quisesse), receber-lhe-ei em minha residência todos os dias úteis até o fim da campanha, para explicá-las e sanar-lhe qualquer dúvida.

- Caso não tenha condição de comparecer, entre em contato comigo pelo telefone xxx, que eu, após as 18:00, na data que lhe aprouver, terei o máximo prazer em ir até a sua casa para que você conheça a a mim e às minhas propostas.

- Desde que eu pretendo fazer política de uma forma diferente, advirto-lhe desde já que não oferecerei nenhum benefício pessoal, além do meu próprio trabalho em prol dos seus interesses como cidadão, em troca de seu voto ou seu apoio. Isso significa que, se você quer que eu lhe dê dinheiro para colar propaganda em seu carro, ou pague sua gasolina, ou qualquer outra "troca de favores espúria" do gênero, fique longe de mim, porque EU não quero o seu voto.

- Igualmente, se você pretende ajudar financeiramente a minha campanha, eu lhe agradeço e de sua ajuda prestarei contas. Mas faça-o segundo a Lei e não o faça esperando que vá lhe oferecer cargos ou benesses pessoais futuras por isso, porque o maior ganho que se pode ter advindo do trabalho de um político é o ganho social e não o pessoal. Portanto, se você se vende a troco de voto, ou barganha apoio para se beneficiar em detrimento da coletividade, associe-se a outro candidato. Eu não ofereço favores pessoais. Ofereço ganhos sociais - e o principal deles é a esperança de que as coisas podem ser diferentes e de que é possível acreditar em algo.

Porque se a esperança de que a dignidade, a seriedade e o respeito podem ser viáveis, renascer, ainda que para alguns poucos, ela contaminará a maioria, e aqueles que vivem de violentar o orgulho e a dignidade do cidadão de bem terão de ceder e retroceder. E aí todos se beneficiarão.

Obrigado por sua atenção.

Atenciosamente, José da Silva."

Infelizmente, esse candidato não existe. E se existisse, sabe quantos votos ele teria? Provavelmente o mesmo número de leitores que terá o presente texto.

E aí eu lhe pergunto: você não se sente incomodado com isso? Não se sente nem um pouco estimulado a tentar fazer algo diferente de conformar-se passivamente?
Com a resposta, seu travesseiro.

"PENSO. AINDA RESISTO!"

Ainda resignado, busco alternativas "gráficas"...



Quem sabe isso ajude um pouco.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"O PODER DO OTIMISMO"

Ouvi, há pouco, interessante explanação acerca do comportamento cultural da elite brasileira no último século. Por tê-lo "pego" de passagem, enquanto procurava por algo "útil" na depauperada "TV paga", não poderei, infelizmente, informar seu autor, mas o programa que a veiculava, exibido na TV Escola, chama-se "Biblioteca Mindlin". Aludia o entrevistado que, no começo do século XX, a meta do brasileiro de classe alta era estudar em Paris. Hoje, o ápice dos desejos da elite econômica brasileira é comprar uma casa em Miami, demonstrando como, em um século, a busca pela cultura caiu em obsolescência.
Com minha pragmática formação profissional, busco sempre "solucionar problemas", analisando suas causas, identificando seus efeitos, demonstrando o nexo causal entre aquelas e estes, e, por emprego de raciocínio lógico, indutivo ou dedutivo, apontar possíveis meios de "contorná-los".
Aqui, no entanto, não consigo vislumbrar mecanismos solucionadores de tal questão.
Não que eles não existam. São óbvios e conhecidos por todos. Mas incapazes de surtir efeito. Ineficazes.
Com silogismos encadeados, expõe-se facilmente o problema.

Premissa maior:
O homem busca por aquilo que é valorizado simbolicamente na sociedade.
Premissa menor:
A cultura não é valorizada socialmente.
Conclusão:
O homem não busca cultura.

Premissa maior:
O sistema econômico-político predominante edita o pensamento ideológico que o sustém.
Premissa menor:
Os valores culturais são induzidos pelas ideologias.
Conclusão:
O sistema econômico-político cria os valores culturais que, internalizados pela sociedade, garantirão sua manutenção.

Premissa maior:
Uma sociedade inculta é manipulável e passiva.
Premissa menor:
A manipulabilidade e a passividade garantem a estabilidade do "sistema".
Conclusão:
Ao sistema interessa manter a sociedade inculta.

Não preciso me estender na elaboração de tais silogismos porque você já concluiu o que já sabia antes de correr os olhos sobre essas linhas.
A valorização da cultura não interessa ao sistema econômico-político, que lançará mão de portentoso arsenal ideológico visando induzir a valorização de símbolos culturais que lhe interessem e denegrindo os que lhe representem ameaça.
Os mecanismos para tal fim refogem ao escopo da presente análise, mas já foram abordados alhures, neste espaço.
E o motivo pelo qual afirmei retro que não vislumbro solução é porque dentre tal "arsenal ideológico", figuram estratégicas ferramentas de "autoproteção" (esse Lula me mata com essa reforma ortográfica!).
São os mecanismos secundários que resguardam a "ideologia principal", dando-lhe suporte, sobretudo fundados no "controle social", como a ridicularização a que é submetido aquele que ousa sublevar-se.
É assim, por exemplo, com o aluno "CDF", um "idiota completo" que prefere estudar a "curtir com as minas". É assim com aquele "cara ridículo e arrogante" que conjuga verbos corretamente. Com aquele "babaca" que "não curte futebol e uma gelada". Com aquele "otário" que trabalha corretamente (por ele e pelos outros) numa repartição pública na qual "quanto mais se trabalha, menos se ganha". Com o "troll" que ora escreve ouvindo Elvira Madigan, ao invés de "ai se eu te pego".
Enfim, exemplos são inúmeros!
Por isso, nenhum vislumbre...
Pode-se tentar de todas as formas. Nada que se faça é capaz de resgatar um "aculturado" de sua letargia "mó legal". De sua alienação travestida de "antenação".
Publique, numa rede social, uma postagem histórica ou filosófica. Duas ou três pessoas a visitarão. Publique uma piada idiota sobre futebol, novela ou sobre a rivalidade "homem x mulher". Milhares a "curtirão".
Veicule numa mídia impressa ou televisiva um texto ou programa cultural. O veículo "quebrará". Não vende!
Por isso, o History Channel se transformou em vendedor de "um jogo brutal, violento, com muito sangue e que vicia" e outros mais "programas mercantis".
O "sistema" transformou o bonito em feio e o feio em bonito para vender mais.
Afinal, ganha-se mais vendo um tablet, um celular, um jogo eletrônico do que um livro.
Não há desculpas para tamanha depauperação cultural. A internet possibilita acesso a milhares de e-books, publicações eletrônicas de revistas, jornais, universidades. Tudo gratuito. Mas prefere-se gastar horas, dias, meses, anos, a vida em joguinhos eletrônicos e fofocas em redes sociais.
Tal alienação coletiva travestida de "conectividade modernizante" revela-se eficaz e oportuna. Sob seus efeitos o "sistema" se perpetua, fortalece-se.
E numa olhada rápida no "tapete vermelho da passarela da mediocridade alienante" chamado facebook, identifico a mais clara evidência da eficácia do mecanismo a que ora me refiro - uma publicação (ali chamada "post") com o seguinte teor: "Posto. Logo, existo!".
Meu Deus!!!!!!!!!! Pobre Descartes!
Nada mais a dizer... Exceto, talvez, "bosta, ainda resisto?".
Ou talvez eu devesse dizer:
"Aí, mano, ké sabe, que se f...! isso eh só um conflito de geração (sic). Depois essa galera descola um trampo e toma juizo, salva o planeta e o karaio a quatro, tá ligado? Eu vo é toma minha breja e assisti meu futebol pq a vida passa mó rápido e eu naum tenho tempo a perde, falo?".
Bem... tudo bem que a ignorância, às vezes, é uma benção... mas, até o nirvana da ignorância pode ser alcançado com um mínimo de dignidade. E quanto ao "conflito de gerações"... desculpe, mas... o ser humano desenvolve o raciocínio bem antes da puberdade!
E a resposta para a pergunta "ainda resisto?" decorre de um raciocínio lógico: se eu não me curvei ao "sistema" e se você não se curvou ao "sistema", então, talvez existam mais de nós por aí, esperando uma motivação para resgatar sua "alma" da danação eterna da mediocridade conectivo-modernizante.
Talvez, com otimismo, eu volte, um dia, a "existir" por pensar (Cogito, ergo sum), e não por "postar"! E deixe, enfim, de ser um "troll" -seja lá o que isso signifique!



segunda-feira, 23 de julho de 2012

AS ELEIÇÕES "PÃO E CIRCO" E O FACEBOOK

Algo familiar começa a acontecer. Caixa de correio e parabrisa do carro "recheados" de "santinhos", vinhetas altas, pobres e irritantes repetindo à exaustão um número a ser "decorado" e aquelas carreatas importunas, barulhentas e desprovidas de sentido lógico que tumultuam ainda mais o trânsito já caótico.
A cada dois anos essa "aberração" acontece. E, vez que já acontecia antes de nascermos, achamo-la normal. Mas detenhamo-nos um pouco em analisá-la.
O "modelo" do processo eleitoral brasileiro é centrado em rígidas leis, rigorosa fiscalização e tecnologia de ponta. E, claro, o T.S.E., altivo, gaba-se de tal.
Afinal, as institituições políticas, assim, pernanecem protegidas.
Mas, e quanto ao "outro modelo"? Aquele que rege o mecanismo de transmissão de informações acerca dos candidatos ao eleitor? Como os senhores candidatos se apresentam a nós, que, querendo ou não, somos obrigados pela C.F. a "elegê-los"?
Bem, o modelo todos conhecemos. Mas eu lhe convido a analisá-lo.
Tomemos um exemplo: um carro de som em "decibéis últimos" executando uma musiquinha horrorosa, bem fácil de decorar, repetindo um nome e um número, e propalando, em refrão, termos como "trabalho", "saúde", "educação", "seriedade" e "honestidade".
Os "decibéis últimos", provavelmente signifiquem: "verme eleitor, eu, candidato que, se eleito com sua ajuda, receberei vencimentos infinitamente maiores que o seu salário, pagos por você, quero, a qualquer custo, o seu voto, pouco me importando se o som estrondante, a que ora lhe submeto contra sua vontade, o incomodará ou não".
A "musiquinha", fácil e repetitiva, com um número a ser decorado e aquelas supracitadas "palavras de ordem" podem significar: "verme eleitor, uma vez que eu tenho certeza de que você é um alienado, burro e ignorante, não me acanho em tratá-lo como tal, bastando para que eu atinja meus fins (arrumar minha vida com a sua ajuda e às suas custas), que você decore, por repetição, o meu número e o digite no dia das eleições".
Noutras palavras, você é tratado como um imbecil, ignorante e otário. E não se mostra indignado com isso...
Mas há "aberrações" ainda mais vexatórias que essa.
É o caso dos pomposos "show-mícios".
O aviltamento à dignidade do eleitor começa já na degeneração do termo "comício" em "show-mício", um acintoso insulto á inteligência mediana que quer dizer, grosso modo: "vermes eleitores, já que vocês não têm inteligência, nem discernimento, e muito menos dignidade, pouco lhes importará se nós, candidatos, nada lhes dissermos sobre nossas histórias e propostas, bastando para vocês, algumas musiquinhas de cantores de qualidade duvidosa e um foguetório-monstro, porque vocês, assim como insetos, são atraídos pela luz; como animais, são atraídos pelo barulho; e como idiotas completos, desprezam as ideias e a história.
Esse é um pálido esboço do "modelo eleitoral" não contemplado pela Lei, senão para legitimá-lo. O "modelo" de propagação do panis et circenses, o romano "pão e circo".
O que me intriga, no entanto, é que a ignorância popular poderia ser facilmente justificável na Roma antiga. Mas, o que justificaria a permanência, na era da internet, de uma sociedade em tão baixo nível analítico a ponto de se permitir submeter-se a tratamento tão vergonhoso sem demonstrar indignação? Sem promover algum tipo de mobilização minimamente articulada?
Bem, talvez se os senhores "facebookianos" gastassem menos tempo com frivolidades, com a escolha de suas melhores fotos (tratadas ou não!), com a "autopromoção" de suas viagens, amores e desamores, suas inócuas filosofias de botequim, e atentassem para o fato de que são vetores capazes de formar opinião e influenciarem-se mutuamente, talvez poder-se-ia pensar em se vislumbrar alguma mudança significativa a longo prazo.
Mas vivemos num "mundo estranho". Num mundo em que "todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer". Numa sociedade em que "parecer ser" é mais importante do que "ser" de fato. Então, basta parecer politizado. Basta conhecer alguns "mantras pseudo-filosóficos" retirados de letras de músicas, para parecer intelectual e "profundo". E basta parecer o mais belo e bem-sucedido possível (politizado ou não!).
O resto... bem o resto o "show-mício" resolve.