quinta-feira, 26 de julho de 2012

"PENSO. AINDA RESISTO!"

Ainda resignado, busco alternativas "gráficas"...



Quem sabe isso ajude um pouco.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"O PODER DO OTIMISMO"

Ouvi, há pouco, interessante explanação acerca do comportamento cultural da elite brasileira no último século. Por tê-lo "pego" de passagem, enquanto procurava por algo "útil" na depauperada "TV paga", não poderei, infelizmente, informar seu autor, mas o programa que a veiculava, exibido na TV Escola, chama-se "Biblioteca Mindlin". Aludia o entrevistado que, no começo do século XX, a meta do brasileiro de classe alta era estudar em Paris. Hoje, o ápice dos desejos da elite econômica brasileira é comprar uma casa em Miami, demonstrando como, em um século, a busca pela cultura caiu em obsolescência.
Com minha pragmática formação profissional, busco sempre "solucionar problemas", analisando suas causas, identificando seus efeitos, demonstrando o nexo causal entre aquelas e estes, e, por emprego de raciocínio lógico, indutivo ou dedutivo, apontar possíveis meios de "contorná-los".
Aqui, no entanto, não consigo vislumbrar mecanismos solucionadores de tal questão.
Não que eles não existam. São óbvios e conhecidos por todos. Mas incapazes de surtir efeito. Ineficazes.
Com silogismos encadeados, expõe-se facilmente o problema.

Premissa maior:
O homem busca por aquilo que é valorizado simbolicamente na sociedade.
Premissa menor:
A cultura não é valorizada socialmente.
Conclusão:
O homem não busca cultura.

Premissa maior:
O sistema econômico-político predominante edita o pensamento ideológico que o sustém.
Premissa menor:
Os valores culturais são induzidos pelas ideologias.
Conclusão:
O sistema econômico-político cria os valores culturais que, internalizados pela sociedade, garantirão sua manutenção.

Premissa maior:
Uma sociedade inculta é manipulável e passiva.
Premissa menor:
A manipulabilidade e a passividade garantem a estabilidade do "sistema".
Conclusão:
Ao sistema interessa manter a sociedade inculta.

Não preciso me estender na elaboração de tais silogismos porque você já concluiu o que já sabia antes de correr os olhos sobre essas linhas.
A valorização da cultura não interessa ao sistema econômico-político, que lançará mão de portentoso arsenal ideológico visando induzir a valorização de símbolos culturais que lhe interessem e denegrindo os que lhe representem ameaça.
Os mecanismos para tal fim refogem ao escopo da presente análise, mas já foram abordados alhures, neste espaço.
E o motivo pelo qual afirmei retro que não vislumbro solução é porque dentre tal "arsenal ideológico", figuram estratégicas ferramentas de "autoproteção" (esse Lula me mata com essa reforma ortográfica!).
São os mecanismos secundários que resguardam a "ideologia principal", dando-lhe suporte, sobretudo fundados no "controle social", como a ridicularização a que é submetido aquele que ousa sublevar-se.
É assim, por exemplo, com o aluno "CDF", um "idiota completo" que prefere estudar a "curtir com as minas". É assim com aquele "cara ridículo e arrogante" que conjuga verbos corretamente. Com aquele "babaca" que "não curte futebol e uma gelada". Com aquele "otário" que trabalha corretamente (por ele e pelos outros) numa repartição pública na qual "quanto mais se trabalha, menos se ganha". Com o "troll" que ora escreve ouvindo Elvira Madigan, ao invés de "ai se eu te pego".
Enfim, exemplos são inúmeros!
Por isso, nenhum vislumbre...
Pode-se tentar de todas as formas. Nada que se faça é capaz de resgatar um "aculturado" de sua letargia "mó legal". De sua alienação travestida de "antenação".
Publique, numa rede social, uma postagem histórica ou filosófica. Duas ou três pessoas a visitarão. Publique uma piada idiota sobre futebol, novela ou sobre a rivalidade "homem x mulher". Milhares a "curtirão".
Veicule numa mídia impressa ou televisiva um texto ou programa cultural. O veículo "quebrará". Não vende!
Por isso, o History Channel se transformou em vendedor de "um jogo brutal, violento, com muito sangue e que vicia" e outros mais "programas mercantis".
O "sistema" transformou o bonito em feio e o feio em bonito para vender mais.
Afinal, ganha-se mais vendo um tablet, um celular, um jogo eletrônico do que um livro.
Não há desculpas para tamanha depauperação cultural. A internet possibilita acesso a milhares de e-books, publicações eletrônicas de revistas, jornais, universidades. Tudo gratuito. Mas prefere-se gastar horas, dias, meses, anos, a vida em joguinhos eletrônicos e fofocas em redes sociais.
Tal alienação coletiva travestida de "conectividade modernizante" revela-se eficaz e oportuna. Sob seus efeitos o "sistema" se perpetua, fortalece-se.
E numa olhada rápida no "tapete vermelho da passarela da mediocridade alienante" chamado facebook, identifico a mais clara evidência da eficácia do mecanismo a que ora me refiro - uma publicação (ali chamada "post") com o seguinte teor: "Posto. Logo, existo!".
Meu Deus!!!!!!!!!! Pobre Descartes!
Nada mais a dizer... Exceto, talvez, "bosta, ainda resisto?".
Ou talvez eu devesse dizer:
"Aí, mano, ké sabe, que se f...! isso eh só um conflito de geração (sic). Depois essa galera descola um trampo e toma juizo, salva o planeta e o karaio a quatro, tá ligado? Eu vo é toma minha breja e assisti meu futebol pq a vida passa mó rápido e eu naum tenho tempo a perde, falo?".
Bem... tudo bem que a ignorância, às vezes, é uma benção... mas, até o nirvana da ignorância pode ser alcançado com um mínimo de dignidade. E quanto ao "conflito de gerações"... desculpe, mas... o ser humano desenvolve o raciocínio bem antes da puberdade!
E a resposta para a pergunta "ainda resisto?" decorre de um raciocínio lógico: se eu não me curvei ao "sistema" e se você não se curvou ao "sistema", então, talvez existam mais de nós por aí, esperando uma motivação para resgatar sua "alma" da danação eterna da mediocridade conectivo-modernizante.
Talvez, com otimismo, eu volte, um dia, a "existir" por pensar (Cogito, ergo sum), e não por "postar"! E deixe, enfim, de ser um "troll" -seja lá o que isso signifique!



segunda-feira, 23 de julho de 2012

AS ELEIÇÕES "PÃO E CIRCO" E O FACEBOOK

Algo familiar começa a acontecer. Caixa de correio e parabrisa do carro "recheados" de "santinhos", vinhetas altas, pobres e irritantes repetindo à exaustão um número a ser "decorado" e aquelas carreatas importunas, barulhentas e desprovidas de sentido lógico que tumultuam ainda mais o trânsito já caótico.
A cada dois anos essa "aberração" acontece. E, vez que já acontecia antes de nascermos, achamo-la normal. Mas detenhamo-nos um pouco em analisá-la.
O "modelo" do processo eleitoral brasileiro é centrado em rígidas leis, rigorosa fiscalização e tecnologia de ponta. E, claro, o T.S.E., altivo, gaba-se de tal.
Afinal, as institituições políticas, assim, pernanecem protegidas.
Mas, e quanto ao "outro modelo"? Aquele que rege o mecanismo de transmissão de informações acerca dos candidatos ao eleitor? Como os senhores candidatos se apresentam a nós, que, querendo ou não, somos obrigados pela C.F. a "elegê-los"?
Bem, o modelo todos conhecemos. Mas eu lhe convido a analisá-lo.
Tomemos um exemplo: um carro de som em "decibéis últimos" executando uma musiquinha horrorosa, bem fácil de decorar, repetindo um nome e um número, e propalando, em refrão, termos como "trabalho", "saúde", "educação", "seriedade" e "honestidade".
Os "decibéis últimos", provavelmente signifiquem: "verme eleitor, eu, candidato que, se eleito com sua ajuda, receberei vencimentos infinitamente maiores que o seu salário, pagos por você, quero, a qualquer custo, o seu voto, pouco me importando se o som estrondante, a que ora lhe submeto contra sua vontade, o incomodará ou não".
A "musiquinha", fácil e repetitiva, com um número a ser decorado e aquelas supracitadas "palavras de ordem" podem significar: "verme eleitor, uma vez que eu tenho certeza de que você é um alienado, burro e ignorante, não me acanho em tratá-lo como tal, bastando para que eu atinja meus fins (arrumar minha vida com a sua ajuda e às suas custas), que você decore, por repetição, o meu número e o digite no dia das eleições".
Noutras palavras, você é tratado como um imbecil, ignorante e otário. E não se mostra indignado com isso...
Mas há "aberrações" ainda mais vexatórias que essa.
É o caso dos pomposos "show-mícios".
O aviltamento à dignidade do eleitor começa já na degeneração do termo "comício" em "show-mício", um acintoso insulto á inteligência mediana que quer dizer, grosso modo: "vermes eleitores, já que vocês não têm inteligência, nem discernimento, e muito menos dignidade, pouco lhes importará se nós, candidatos, nada lhes dissermos sobre nossas histórias e propostas, bastando para vocês, algumas musiquinhas de cantores de qualidade duvidosa e um foguetório-monstro, porque vocês, assim como insetos, são atraídos pela luz; como animais, são atraídos pelo barulho; e como idiotas completos, desprezam as ideias e a história.
Esse é um pálido esboço do "modelo eleitoral" não contemplado pela Lei, senão para legitimá-lo. O "modelo" de propagação do panis et circenses, o romano "pão e circo".
O que me intriga, no entanto, é que a ignorância popular poderia ser facilmente justificável na Roma antiga. Mas, o que justificaria a permanência, na era da internet, de uma sociedade em tão baixo nível analítico a ponto de se permitir submeter-se a tratamento tão vergonhoso sem demonstrar indignação? Sem promover algum tipo de mobilização minimamente articulada?
Bem, talvez se os senhores "facebookianos" gastassem menos tempo com frivolidades, com a escolha de suas melhores fotos (tratadas ou não!), com a "autopromoção" de suas viagens, amores e desamores, suas inócuas filosofias de botequim, e atentassem para o fato de que são vetores capazes de formar opinião e influenciarem-se mutuamente, talvez poder-se-ia pensar em se vislumbrar alguma mudança significativa a longo prazo.
Mas vivemos num "mundo estranho". Num mundo em que "todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer". Numa sociedade em que "parecer ser" é mais importante do que "ser" de fato. Então, basta parecer politizado. Basta conhecer alguns "mantras pseudo-filosóficos" retirados de letras de músicas, para parecer intelectual e "profundo". E basta parecer o mais belo e bem-sucedido possível (politizado ou não!).
O resto... bem o resto o "show-mício" resolve.

domingo, 22 de julho de 2012

UM AGRADECIMENTO E UM CONVITE

Eu gostaria de fazer um convite a você, amigo(a) que tem acessado este espaço com frequência, desde a longínqua Rússia: eu adoraria conhecê-lo(a), ainda que virtualmente, ouvir suas opiniões, sugestões, críticas, e ampliar, contigo, meu círculo de amigos, assim como enriquecer minhas concepções a partir de suas experiências. Meu email é prof.marcelreis@gmail.com.
Ainda que não aceite meu convite, agradeço-lhe pela assiduidade de acessos à minha página, vez que é essa a maior motivação que me anima a vir aqui compartilhar minhas reflexões.
Grande abraço e obrigado.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O "ANIMUS DOMINI", O "TUDO OU NADA" E A INFELICIDADE ORGULHOSA


Conversando com minha amiga Kátia Alessandra sobre algumas "incongruências relacionais" que acometem casais e ex-casais, levantei alguns questionamentos acerca de tais "paragens" e engajei-me na persecução de respostas. Gostaria de compartilhar algumas de minhas conclusões, muitas delas alcançadas com a ajuda daquela valorosa manceba!
O ponto central do questionamento reside no fato largamente observável de que "casais" - sejam de esposos, namorados, amantes - ao se separarem, independente do motivo, parecem cumprir, invariavelmente, um lamentável roteiro - quase um ritual! - deplorável de mútua agressão (física, verbal, ou apenas velada), de forma a, no mais das vezes, tornarem-se inimigos ou, no mínimo, ignorarem-se e se evitarem mutuamente.
Aí cabe um questionamento: desde que não tenha havido um indelével processo de desgaste fundado em atitudes desrespeitosas, o que justificaria tal fato?
É óbvio que, em tendo havido longo e penoso processo desagregatório, geralmente baseado em agressões verbais e imputação de mágoas, não se há de esperar que um "ex-casal" nutra sentimentos recíprocos de respeito e gratidão e o melhor que têm a fazer é evitarem-se mutuamente.
Mas é sobre o outro grupo que eu quero centrar minha análise.
Vejo casais se desfazerem - e isso é "moda" e será cada vez mais pela própria natureza humana! - todos os dias. Mas o que eu não compreendo é a forma como se tratam após o "fato consumado".
Vejo pessoas que compartilharam sonhos por anos, que se doaram e receberam mutuamente, que se ajudaram e ampararam, de repente tratarem-se como se fossem "estranhos" um ao outro - o que me causa espécie!
O motivo da minha indignação é o acinte ao racionalismo que tal atitude representa.
Analisemos.
Você ignora, normalmente, um estranho - alguém que nada lhe acrescenta. Ainda a esse, você dispensa respeito e alguma consideração civilista.
Se alguém te trata com certa cortesia, a menos que você seja um ignorante ou arrogante, você o retribuirá. Se alguém se mostra cooperativo, acrescenta-lhe coisas boas, você mostra gratidão e busca retribuir. E se alguém lhe contribuiu para o seu crescimento, cuidou de você, demonstrou alguma vez enorme carinho, você lhe será sempre grato(a), ainda que não mais se encontrem, ou o façam raramente. Mas se alguém fez tudo isso e muito mais, dividiu lençóis e planos contigo, e hoje vocês não mais os compartilham, então há uma enorme probabilidade de que a essa pessoa você não dispense a cortesia, a gratidão e a amabilidade que seria o lógico, por indução finita, dispensar!
E aí eu pergunto: será que o motivo é apenas o fato de já terem compartilhado lençóis e planos?
Não creio e mostro o porquê: geralmente, a "descortesia", o afastamento e até mesmo o "ódio velado" é muito mais pronunciado em uma das partes. Aliás, para ser preciso, no mais das vezes, um dos polos da relação sempre "sai de boa" e o outro, ressentido.
Minha brilhante amiga supramencionada diz que isso evidencia uma forma de "defesa" de uma das partes, assim como uma maneira de se mostrar que, ao final, venceu-se o "Jogo".
Eu concordo plenamente!
Acrescento ainda que, a meu ver, se trata de uma maneira de "vingança velada" geralmente manifestada pela parte que pretendia "manter a relação". 
Mas é nesse ponto que pretendo profundar o raciocínio.
E a "pedra-chave" é aquilo que chamamos "orgulho ferido". E essa chaga acomete o maior de todos os "pecados humanos" - a vaidade!
Em última análise, é por orgulho - que é um dos componentes da vaidade - que se presta a tão irracional e improfícua atitude!
E nesse ponto sou obrigado a tecer algumas análises que, provavelmente, desagradarão a alguns ainda voluntariamente submetidos aos caprichos escravizantes (e emburrecedores!) da vaidade.
Primeiro, a vaidade é um "pecado necessário" que, assim como uma droga fitoterápica, pode matar ou curar, dependendo da dose. Bem utilizada, transforma-nos em pessoas melhores, mais cultas, mais asseadas, melhor vestidas, mais educadas. Em excesso, transforma-nos em escravos de modismos, em seres arrogantes, vingativos e, pior: irracionais! E não custa lembrar que o que nos diferencia dos nossos primos que ainda sobrevivem no que resta de selvas, é o raciocínio lógico e a associação simbólica, essa muito mais que aquele!
Especificamente no caso em tela, o resultado do nosso orgulho, ou da má administração de nossa vaidade, é que:
1- Afastamo-nos de pessoas que, muito provavelmente fizeram mais por nós do que a maioria das demais faria ou fará um dia;
2- empobrecemos na teia de vínculos sociais, a tão duras penas construída num mundo em que abundam pessoas "toscas";
3- abdicamos do mais nobre dos sentimentos humanos: a amizade; e pior: por vezes nos socorremos de "pseudo-amizades" tão pobres que, em sã consciência, envergonhar-nos-iam;
4- vinculamos implicitamente o animus cooperandi ao animus domini, numa franca atitude de animus "fudendi";
5- e pior: "fechamos as portas" negligenciando irracionalmente a "máxima axiomática" de que "a vida vem em ondas", ou noutras palavras, que "a vida dá muitas voltas".

Como bons idiotas vaidosos, não somos capazes de nos colocar "acima" do condicionamento social, hipócrita e sectário, segundo o qual "a justiça tarda mas não falha" ou "a vingança é um prato que se come frio". Precisamos e torcemos para que uma "nova oportunidade" nos seja dada para que nos vinguemos, para que "saiamos por cima", seja lá o que isso signifique!
Animus domini, querer ser "dono", imperar sobre todas as coisas, querer ser o(a) melhor, porque somos únicos, perfeitos, e o mundo tem de ser nosso! A vaidade tornada dínamo, o orgulho como norte e a infelicidade como sina.
Infeliz contingência humana!
Quem sabe um dia retiremos do papel, das páginas de livros religiosos, dos discursos vaidosos travestidos de indulgentes, a essência da humildade e compreendamos, enfim, que as máximas ideológicas implícitas ou explícitas nas escolas, na TV, nos papos com os(as) amigos(as) - de que não devemos nos contentar "com parte", porque merecemos o "todo", porque somos perfeitos - "a imagem e semelhança do criador" -, porque "it´s now or never", porque "is my way or the highway", por que para nós é "oito ou ointenta", porque para nós é "tudo ou nada"; quem sabe um dia percebamos o quão infelizes e pobres têm sido nossas vidas por acreditarmos no que nos fizeram acreditar, porque nos insuflaram o orgulho e a vaidade para que, infelizes, fizéssemos o que todo "infeliz" faz: pensar pouco e consumir muito!