quinta-feira, 10 de março de 2011

"PENSE E ENRIQUEÇA"!

Depois de receber diversas manifestações de reconhecimento e incentivo em relação aos textos aqui publicados – manifestações pelas quais quero, novamente, agradecer -, abalei-me a vir aqui, criar nova(s) postagem(ns).

Interessante observar que o ano, que parece mal ter começado, já avança a passos largos para atingir completo seu primeiro quartel. E pergunto-me estarrecido: onde está o tempo?! O que e por que acontece de, simplesmente, não se ter tempo para absolutamente nada?

Algumas elucubrações se fazem inolvidáveis. Abordemo-las, pois...

Primeiro, constatemos alguns fatos: já reparou que o número de tarefas a serem cumpridas ao longo de determinado período aumentou significativamente com o tempo? Note que, há dois, cinco anos, você tinha um número menor de atribuições e tarefas que dependiam de você. Agora precisamos trabalhar mais, em quantidade e qualidade, para sermos “competitivos” – outro nome para “sobrevivermos sem perda de padrão econômico”. Afinal, não é difícil perceber que, hoje, para se manter um determinado padrão, mister se faz produzir muito mais do era necessário há alguns anos.

Não só isso. A “velocidade social” também aumentou. O que quero dizer com isso? Simples: o conjunto de tudo o que se faz, cria, troca-se na sociedade. A informação, por exemplo: os modelos de jornais televisados mudaram, as notícias ficaram fracionadas em nome da objetividade. Os filmes ganharam sensível aceleração em seu ritmo e se tornaram mais, digamos, “dinâmicos” – termo revestido de conotação “valorizante”.

Tudo se acelerou! O trânsito, as músicas... até mesmo os ‘namoros’... rss...

Se isso é bom? Irrelevante, já que se trata de julgamento de valor. Se é benéfico? Improvável! Afinal, vive-se sem 'viver'. Trabalha-se para viver e vive-se para trabalhar, tudo em compasso tão acelerado que mal se pode perceber tais mudanças se processando.

Há, pasme, teorias científicas que afirmam que o tempo está realmente acelerando, fundadas em relatividade. Se corretas, não posso afirmar, já que não disponho de capacidade técnica para tal, mas, certamente, bastante consistentes e lógicas.

Entretanto, colocando a ciência físico-natural de lado, podemos nos deter nas ciências sociais para encontrar ao menos parte das respostas.

Do que vou dizer a seguir, pouco me pertence. São idéias compiladas livremente, colhidas de obras de diversos sociólogos.

É deveras conveniente a quem se beneficia de determinado sistema social, que tal sistema se mantenha em equilíbrio, em segurança. Uma ameaça à segurança de qualquer sistema de manutenção e controle social é, por óbvio, a ocorrência de eventos que perturbem o equilíbrio de poder nele estabelecido. Um dos mais efetivos eventos capazes de afetar tal equilíbrio, é a rebeldia contra tal disposição sócio-estrutural. A força motriz, ou melhor, a mola propulsora da rebeldia e suas culminações reside num único ato: o pensar! Ao se pensar – pensar legitimamente, questionar! – percebe-se as incoerências do sistema, suas injustiças. A porta está aberta para a ação! E aqui reside o maior perigo para o "equilíbrio social": A ação! Vide as atuais ocorrências no norte do continente africano e adjacências.

Então, pergunta-se: qual a melhor forma de se evitar que a “semente germine”? Inviabilizando-se a possibilidade de “pensar”! E, se você notar, é exatamente isso o que está acontecendo nesse exato momento: minam-se as forças do cidadão, extenuando-o, exaurindo-o a tal ponto que ele, simplesmente, não consegue pensar!

É conveniente a falta de tempo! O excesso de compromissos.

Aí, extenuado, buscar-se-á “aproveitar” o exíguo tempo “livre” com diversão fugaz, que acaba por enterrar definitivamente a possibilidade de “pensar”. Aliás, não raro, se diz: “agora não quero pensar em mais nada! Quero apenas me divertir!”. Aí, "acaba-se" em bebidas, festas –geralmente barulhentas!-, noitadas, coisas assim... “revigorantes” (ao menos para o sistema! Rss...).

Bem, eu adoraria continuar a escrever, mas... preciso voltar ao trabalho! Coisas do “sistema”!

Obrigado, novamente a todos que me escreveram – a maioria, pessoas que não conheço pessoalmente, mas que julgaram ser importante encontrar um tempo para “pensar”. Seu incentivo é minha força motriz para vir aqui exercitar o direito que tentam a todo custo tirar de mim: o sagrado ofício de “refletir”.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!

Desejo a todos um feliz Natal, junto aos seus, em harmonia e paz.
Desejo que um sentimento de compleição lhes invada a alma, porque é isso, mais que tudo, que realmente confere à vida o seu valor.
Um grande e fraternal abraço.

post scriptum: Se puderes, faças uma diferença na vida de alguém. Um pequeno gesto, um carinho, atenção... qualquer coisa que não seja previsível. Algo inesperado. Algo bom. Isso poderá fazer uma grande diferença: quem sabe motivará o 'recebedor' a fazer o mesmo por outrém, e aquele por outra pessoa ainda, e assim por diante. Aí você terá feito mais do que acumular dinheiro e prover os seus. "vós pouco dais quando dais de vossas posses. Vós realmente dais quando dais de vós próprios".

PÉROLA

Se você leu os textos anteriores, entende minha contrariedade com a “postura social” reinante. Mas, pasme, eis que nem tudo está perdido! Bem, talvez eu esteja sendo otimista demais. Mas o fato é que ainda é possível encontrar pessoas (raríssimas, infelizmente) que não se contaminaram com essa “praga das plagas”.

Acredite! Encontrei alguém que ainda se importa em ensinar o que sabe, sem se preocupar com a possibilidade de ferir o vaidoso princípio da “reserva intelectual”. Alguém capaz de lisonjear-se sinceramente com um elogio e, melhor, ainda demonstrar gratidão! Alguém capaz de regozijar-se com pequenas cortesias e ainda agradecer por elas! Juro! Ainda existem pessoas assim! Do tipo que, ainda que “tenha”, não se importa em mostrar que “tem”. Ainda que “seja”, não se interessa por mostrar o quão “é”. Diferente das hordas de “deuzinhos de peito de aço e pés de barro”, demonstra humildade quando outros ostentariam fauto e empáfia.

Estupefato, constatei tal fato. E senti uma imensa gratidão... pela gratidão! Contentamento por perceber que pequenas coisas, detalhes, gestos corteses, ainda podem importar, desinteressadamente, apenas pelo fato de que tornam a vida melhor! Ah, deveria haver mais pessoas assim no mundo! Ele com certeza seria um lugar melhor.

Nomes? Não importam! Cargo, papel social? Ainda menos! Importa o sentimento. A sensação de "gratidão pela gratidão". Um sorriso sincero, amável, que todos, algum dia, deveriam sentir, e que todos, todos os dias, deveriam demonstrar.

Eu, honestamente, espero que você encontre pessoas como esta, em sua vida. Torná-la-ão melhor, se você não for um (a) “tosco (a)”. E, quando encontrar, não se esqueça de dizer o que eu disse, e reitero, agora por escrito: “OBRIGADO”!

"NO BRAIN, NO PAIN"

Provavelmente outro reflexo da “mudança” sócio-econômica e cultural (?) a que o texto anterior alude seja a acentuação da tendência natural humana de julgar-se mais e melhor que o seu próximo e, portanto, superior!

Meu Deus! Que dificuldade há hoje para se relacionar com as pessoas! Até mesmo "chegar" a elas. Penetrar-lhes os “muros” psicológicos auto-circundantes que protegem seus inflados egos e blindam-lhes o “self” perceptivo que lhes conferiria uma chance de mostrarem-se menos empafiosos – e vazios!

Achas que exagero? Então constates por si. Já percebeu que hoje em dia tornou-se praticamente impossível “dialogar” com alguém? Eu falo sério! Repare! Enquanto seu interlocutor lhe fala, você o escuta. Quando chega a sua vez de falar, o agora ouvinte faz tudo, menos prestar-lhe atenção! Olha para os lados, interrompe-lhe a fala, pede-lhe licença e sai, conversa com outra pessoa... Você simplesmente não lhe importa!

Tente se aproximar de alguém. Tente tecer um elogio a alguém. Primeira reação: “o que ele (a) está querendo de mim?”. Segunda reação: provavelmente desprezo.

Envie um email a um conhecido dizendo-lhe algumas palavras amistosas. Melhor: envie para dez. Espere a resposta. Dois, três com sorte, lhe responderão.

Se se elogia a virtude de alguém, passa-se por “puxa-saco”! Ou interesseiro! Ou ambos... Por outro lado, se se ignora a virtude de alguém, passa-se por invejoso. Não se tem saída! Há de se viver na mediocridade ad eternum!

Mundinho chato para quem pensa! Sábia máxima: “no brain, no pain”!

EU, ENGANADO!

Uma das coisas que ‘descobri’ nesse ano de 2010 foi que... fui enganado! Ou melhor, enganei-me! Sim... Sabe daqueles enganos “homéricos”? Sabe quando se acredita em algo por anos, décadas, e, perplexo, descobre-se haver se enganado? A mim aconteceu! Se você já passou por isso, deve saber o tamanho da frustração que se abate sobre o “desiludido”.

Dividi-lo-ei...

Eu sempre tive uma certeza. Carreguei-a comigo por décadas... Eu via a condição sócio-econômica das pessoas, na média, e condoia-me. Penalizava-me pensar que este pobre e sofrido povo carecia de educação e cultura por reflexo conseqüente das demais carências, em particular a econômica. Dedução lógica! Ora, ganhando-se salário de menos de setenta dólares, como se pode pensar em adquirir cultura? Estando-se desempregado, provavelmente com fome, como se preocupar com cultura? A educação é a primeira vítima da fome! Esta a primeira parte da minha "construção mental".

A segunda: eu sempre, sempre pensei que cultura e educação e civilidade e cidadania eram tintas de um mesmo quadro harmônico. Caminhavam, desenvolviam-se juntas, simbioticamente.

Bem, agora basta “ligar os pontinhos”: melhorando-se a situação econômica de um país, as pessoas terão condições de acessar fontes de cultura, educação; desenvolver-se-ão, tornando-se cidadãos mais educados, corteses, e uma sociedade melhor decorrerá de tal mudança. Rsssssssssss... Quem disse que o mundo tem lógica?

Eis a "Terra de Vera Cruza" enriquecendo! Oba! Agora sim poderemos ver crianças bebendo na fonte do conhecimento formal decente, sólido, edificante. Agora sim poderemos ver jovens mais bem-formados, responsáveis. Adultos mais educados, corteses, civilizados! Agora sim poderemos, enfim, ver algum vestígio de mesura nos modos; sementes, aqui e ali, de preocupação com a coletividade, respeito para com o próximo, um esboço de gestos corteses e português minimamente bem falado e escrito. Afinal, o “bolo crescido começa a ser dividido”! Mas... eis que “Deu (-se) fim” ao meu tão ‘lógico’ sonho infantil.

Perplexo observei o “plus” econômico, a migalha do inimaginavelmente crescido “bolo” até ontem dividido por poucos, o quinhão que a cada um começa a ser dado, teve destinação bem diversa! Transformou-se em carros, carros e mais carros. Motocicletas. Apartamentos-pombais com vergonhosos 41 metros quadrados de área. Transformou-se em TVs de plasma full HD, em churrascos e cervejadas barulhentas todos os finais de semana. Num aumento sensacional na venda (e queima) de barulhentos fogos de artifício (estouram-se-os a todo momento, por toda parte, sem eu entender exatamente o porquê!). Celulares... Abundância! Que bênção! Mas...

Eis que se esqueceu de gastar um pouquinho dessa ‘polpuda migalha’ com educação, cultura... e, o que era para ser a “hora da virada”, virou a "hora do pesadelo"! Ah, Deus! Que inferno se transformaram as ruas, o trânsito. Vias apinhadas de veículos conduzidos por “deuzinhos insuflados” pela falsa sensação de poder, por, enfim, ter-se um carro zero (ou ao menos um carro!), ‘senhores’ de peito de aço e pés de barro, de nariz empinado, prontos para xingar, cometer infrações e imperícias (bareiragens, mesmo!) absurdas, expor com todas as cores a sua falta de educação e seu desprezo pelo próximo.

Antes, professores apanhavam de alunos. Hoje são mortos!

A esperada cortesia e civilidade que acompanha a abundância, deu lugar a um teatro de horrores interpretado por anônimos atores incultos e deseducados. O que era para melhorar, piorou...

E eu me enganei...

Hoje a ermitania já não me parece assim tão ilógica...

Bem, mas quem foi que disse que a vida é lógica?